pensei em me transformar numa Cinderela, mas ultimamente ando tão gata borralheira, na realidade sempre fui arisca e tenho tendências a afastar as pessoas de mim (o inverso do que a terra pratica com os nossos corpos - e lidar com a velhice não é moleza! mas isto pode ser um outro assunto, para outro dia).
acabei por ter neste exato momento apenas a vontade de falar sobre a música que ouço grandemente nos meus ouvidos, penetra no cérebro, escrevo praticamente a luz de velas, já que o romance está em pleno ar, vindo com a chuva decerto, bem que a cidade onde deposito meu corpo diariamente em bocas de ruas, parece ter saído de um livro do Grande Gabriel García Márquez, só chove...
e as pessoas derretem, tendem a desaparecer, começam a mofar por dentro e tudo realmente fica cinza, um pouco azul...
o meu romance eu explodi, não aguentava mais a situação, eu me anulando a cada virada de lua (já comentei que a minha vida é cíclica, tem haver com marés?)... mandei ele explodir e estou em fase de troca de pele (não só pela idade - olhem o assunto chegando novamente!) e me arranhando por dentro, farelos e pêras...
acabei de tirar férias, portanto vou deixar mais tempo minhas pernas ao ar, lutando contra a gravidade futuras varizes...
mas uma dor nas costas me afligem... chega parecer que carrego a noite nos ombros...
e me apaixonei novamente, agora pela leitura, leitura de Caio Fernando Abreu, era ele quem me esperava na volta das férias... todo cheio das etiquetas, ele me trouxe também Virgínia Woolf, a mulher, sem trocadilhos é uma loba, devorte com os dedos...
estou pensando em escrever um romance, mas será que escritores também fazem laboratórios?
e depois de horas me torno vazia novamente e cinza... sim, minha imagem agora no espelho, vazia e cinza...
cinzas
era a cor da lua quando a gente esteve por lá...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário