terça-feira, 15 de dezembro de 2009

um gozo

é, eu estive ausente, momento de instrospecção e expectoração... cheguei a expelir meus ossos, nem a carne presente! calma, eu não morri para desgosto do meu gosto, no mês de agosto e setembro e outubro e novembro (penso que poderiam ter sido substituídos por vírgulas - um breve tempo no meu tempo)... estou com saudades! daquelas orgias que só amigos podem tecer... me dá fome e fome e raiva tenho eu e João Bosco. Mudei tanta coisa em mim, não sou mais loira, e só no meu mundo de fantasia! o complicado de ficar velha é sempre o arriscado e os riscos na pele vêm de brinde! a minha despedida vai ser fogo e chuva. será que no meu cérebro não faltam dentes? minha psicóloga acredita que sim, porque todos temos um pouco de monstros.precisamos aprender a dizer não. e sempre foi isto a minha maior dificuldade. acredito num mundo que vêm coberto até a borda de gente... gente de tudo que é cor e esquisitos e belos e tolerantes! mas essa gente é voraz e incapaz de compreender e viver em sociedade. enquanto essa gente toda apodrece o umbigo a gente (a outra gente), fica à margem...

vaga lume vaga mundo

e eu? vagabunda?

encontros no escuro com Kafka

há alguns dias atrás, estava eu em casa, apreciando sobre a mesa um belo prato florido de pão seco (a minha diéta é também à base de água), era de noite... quando ao meu encontro com o pão babando e a boca seca, meus olhos, ou melhor o canto dos meus olhos se avistaram com uma barata, um inseto cor de terra, duas antenas grandes (telescópios do acaso), irriquietas (a barata e suas antenas - varas de pescar pensamentos)... estava flutuando (quisera eu - ô bicho nojento!) um pano branco e gélido (feito eu!)... hordas de anjos cantaram sua bela música de anunciação: era Kafka! só poderia ser! tinha se metamorfoseado em seu personagem mais célebre... eu tive um longo e exaustivo papo cabeça com a cabeça de Kafka, não pulei no pescoço da barata, nem fiz cenas de um grande holocausto subindo em cadeiras, até porque ele estava também sobre a mes mais ou menos na minha altura! Senti que tinha finalmente atravessado a ponte... mas a amizade foi curta, tempo de pegar o jornal com as notícias do dia, fazer um rocambole de jornal e apertá-lo contra o corpo do inseto... eu matei Kafka!








Waiting so long, I've been waiting so, waiting so...

não vou pedir mais namorados em listas de presente de amigo secreto, há tempos venho tentando esta sorte...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

pressão

ai eu preciso de um cigarro e um café

benvindos à Lua!

pensei em me transformar numa Cinderela, mas ultimamente ando tão gata borralheira, na realidade sempre fui arisca e tenho tendências a afastar as pessoas de mim (o inverso do que a terra pratica com os nossos corpos - e lidar com a velhice não é moleza! mas isto pode ser um outro assunto, para outro dia).
acabei por ter neste exato momento apenas a vontade de falar sobre a música que ouço grandemente nos meus ouvidos, penetra no cérebro, escrevo praticamente a luz de velas, já que o romance está em pleno ar, vindo com a chuva decerto, bem que a cidade onde deposito meu corpo diariamente em bocas de ruas, parece ter saído de um livro do Grande Gabriel García Márquez, só chove...
e as pessoas derretem, tendem a desaparecer, começam a mofar por dentro e tudo realmente fica cinza, um pouco azul...
o meu romance eu explodi, não aguentava mais a situação, eu me anulando a cada virada de lua (já comentei que a minha vida é cíclica, tem haver com marés?)... mandei ele explodir e estou em fase de troca de pele (não só pela idade - olhem o assunto chegando novamente!) e me arranhando por dentro, farelos e pêras...
acabei de tirar férias, portanto vou deixar mais tempo minhas pernas ao ar, lutando contra a gravidade futuras varizes...
mas uma dor nas costas me afligem... chega parecer que carrego a noite nos ombros...
e me apaixonei novamente, agora pela leitura, leitura de Caio Fernando Abreu, era ele quem me esperava na volta das férias... todo cheio das etiquetas, ele me trouxe também Virgínia Woolf, a mulher, sem trocadilhos é uma loba, devorte com os dedos...
estou pensando em escrever um romance, mas será que escritores também fazem laboratórios?
e depois de horas me torno vazia novamente e cinza... sim, minha imagem agora no espelho, vazia e cinza...
cinzas
era a cor da lua quando a gente esteve por lá...

sábado, 16 de maio de 2009

sonhos

Não foi Akira Kurosawa quem veio me visitar e aproveitar do último gole de café, mas ainda me arrepio toda...
Não são todos os sonhos ou realmente de quase nenhum eu me lembro, mas quarta feira acordei despida de qualquer fantasia vintage, coberta de suor e com o queixo até o chão, mas latente a frase chegou a me dar dor de cabeça, não saiu desde então dos meus olhos:
"Quem ama preserva"
Ainda não a digeri, faço esforço tremendo, não entendo de sonhos, Jung seria um grande aliado, devo recorrer à psicologia (?).
Mais uma neurose mal resolvida, já é um começo para as respostas se desprenderem (conscientemente) do subconsciente.

inverno

a febre passa e retorna em doses macias... vivo em ciclos.
há de pensar você que eu morri? erguida estou... fortalecida, com meu próprio vírus, não penso que a paixão é cega (e sempre é o espelho quem me diz que cega nem eu sou!), é um jogo que ninguém sabe jogar... ou você ousaria me fazer acreditar o contrário?

então prove!
deixa que eu aprovo!