há alguns dias atrás, estava eu em casa, apreciando sobre a mesa um belo prato florido de pão seco (a minha diéta é também à base de água), era de noite... quando ao meu encontro com o pão babando e a boca seca, meus olhos, ou melhor o canto dos meus olhos se avistaram com uma barata, um inseto cor de terra, duas antenas grandes (telescópios do acaso), irriquietas (a barata e suas antenas - varas de pescar pensamentos)... estava flutuando (quisera eu - ô bicho nojento!) um pano branco e gélido (feito eu!)... hordas de anjos cantaram sua bela música de anunciação: era Kafka! só poderia ser! tinha se metamorfoseado em seu personagem mais célebre... eu tive um longo e exaustivo papo cabeça com a cabeça de Kafka, não pulei no pescoço da barata, nem fiz cenas de um grande holocausto subindo em cadeiras, até porque ele estava também sobre a mes mais ou menos na minha altura! Senti que tinha finalmente atravessado a ponte... mas a amizade foi curta, tempo de pegar o jornal com as notícias do dia, fazer um rocambole de jornal e apertá-lo contra o corpo do inseto... eu matei Kafka!
Waiting so long, I've been waiting so, waiting so...
não vou pedir mais namorados em listas de presente de amigo secreto, há tempos venho tentando esta sorte...
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